O Andarilho

Olá Juovéns
Hoje lendo o periódico local me deparei com a história do Walter, ele é um americano que teria seu primeiro dia no novo trabalho mas no dia anterior o carro dele quebrou. Ele precisaria estar no local cedo e ao invés de desistir ou reclamar resolveu que iria de qualquer forma ao novo emprego. Ele vive a aproximadamente 40 Km do local onde iria trabalhar, como não tinha como ir resolveu ir andando mesmo, a noite inteira para estar as 06:30 no ponto de encontro com os outros colegas. Vou deixar o link para a matéria, vale a pena ler ela, talvez estes minutos de leitura melhorem seu dia. Se souber ler em inglês sugiro ler o relato da senhora onde Walter iria desempenhar a nova função.
Pois bem, há algum tempo resolvi me afastar de notícias ruins e busco sempre histórias de pessoas para me inspirar, como a do Walter, acredito que existem mais coisas boas acontecendo no mundo do que ruins. Infelizmente o que gera mais cliques são as fofocas e desgraça alheia, por isso tento sempre fugir destas notícias ruins e busco apenas as boas.
A reportagem do Walter me lembrou de uma própria que compartilho com vocês, em 2004 entrei para a UTFPR (Universidade Tecnológica Federal do Paraná na época CEFET) para cursar um curso técnico. Infelizmente naquela época eu, minha irmã e minha mãe havíamos “falido” em mais um negócio, criávamos cachorros e fazíamos feiras de filhotes. Para ajudar haviam roubado a minha bicicleta durante a realização das provas para tentar entrar na UFPR. Eu morava a 13 quilômetros da universidade e não tinha condições de ir e vir de ônibus então decidi que iria caminhando mesmo, estudava a tarde o que me possibilitava ir cedo e voltar depois da aula também a pé ou se ficasse muito tarde gastava um Super Trunfo e voltava de ônibus. Muitas vezes a Sheila ou sua família me ajudavam com a passagem de volta mas eu não era muito de pedir as coisas nem me passar por coitadinho, então andava.
As coisas em casa iam de mal a pior com a quebra da empresa, mas eu acreditava que tinha que continuar na universidade para ter alguma esperança de sair desta situação, algum tempo depois um tio meu ficou sabendo do que estava acontecendo e veio de Florianópolis até Curitiba para me trazer um presente, uma bicicleta novinha que ele havia comprado para mim, não era o carro que muitos cobram dos pais quando entram na universidade mas era para mim muito mais valiosa que o carro que muitos tinham.
Walter me lembrou desta fase de minha vida, acredito que a mensagem que fica é que se ficarmos nos martirizando ou reclamando da nossa situação a vida não vai nos ajudar, e sim vai nos empurrar cada vez mais para baixo, vai nos trazer cada vez mais pessoas e situações que estão na mesma sintonia. Muitas vezes pensamentos “tristes” passavam por minha cabeça e ficava me martirizando pela minha má sorte, mas não deixava de dar um passo a mais, na época não entendia isso mas hoje vejo que cada um desses passos me trouxe até onde estou hoje e os que estou dando agora me levarão mais e mais distante.
Se tiverem um tempinho vejam a historia do Walter, pode ser que te traga uma felicidade para o dia.
Link para a reportagem
https://www.gazetadopovo.com.br/ideias/estudante-caminha-a-noite-inteira-para-chegar-ao-trabalho-e-ganha-carro-do-diretor-5c1lml0t04a55507ksp98qnri

C.

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